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A Varíola do Macaco pode afetar os olhos

A Varíola do Macaco pode afetar os olhos

A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo divulgou orientações e aponta as alterações oculares como parâmetros para diagnóstico e indicação de tratamento.

Saiba mais no resumo elaborado pela Dra Denise de Freitas da Sociedade Brasileira de Córnea, Doenças Externas Oculares e Banco de Tecidos, uma Sociedade filiada ao Conselho Brasileiro de Oftalmologia.

A varíola dos macacos sistemicamente tem período de incubação que varia de 5 a 21 dias. As lesões dermatológicas geralmente aparecem primeiro como máculas, evoluindo para pápulas, vesículas, pústulas e crostas e costumam ser dolorosas. Sintomas semelhantes aos da gripe, como febre, dor de cabeça, congestão e mialgia podem estar presentes. A linfadenopatia, ocorrendo no estágio inicial da varíola dos macacos, é um achado que a diferencia da varíola e da varicela. Dependendo do período de exame, os linfonodos podem não ser mais detectados.

            As evidências disponíveis apontam para presença de várias manifestações oculares associadas à varíola dos macacos.

            A fotofobia, isoladamente, sem acometimento ocular, foi relatada em aproximadamente 22% dos pacientes afetados. Cefaleia frontal, envolvendo as órbitas, também foi relatada.

            Blefarite com pústulas da borda palpebral foi observada em 30% dos pacientes não vacinados e em 7% dos pacientes previamente vacinados contra a varíola.

            Se a região periocular e o olho propriamente dito estiverem acometidos, deve-se pesquisar linfonodos regionais, como os pré-auriculares, submandibulares e da cadeia cervical.

            A ocorrência de conjuntivite e edema das pálpebras é descrita na literatura em aproximadamente 20% dos pacientes afetados. É citado que a conjuntivite pode ser preditiva do curso da doença, baseado no fato que 47% dos pacientes com conjuntivite relataram estar sistemicamente comprometidos, em comparação a 16% dos pacientes em que acometimento ocular não foi detectado.

            Lesões focais de prováveis pústulas virais podem também ser observadas na conjuntiva e coram com a fluoresceína.

            Formas graves de ceratite (observadas em 7,5% dos pacientes em um estudo), como epiteliopatia, algumas vezes grosseira ou em forma de linhas, úlceras e, ainda, cicatrizes na córnea (observadas em 4% dos pacientes não vacinados e 1% dos casos previamente vacinados contra varíola) podem, eventualmente, levar a perda de visão permanente.

            Para o diagnóstico deve-se realizar PCR específico para o vírus da varíola dos macacos colhendo-se amostras de lesões dermatológicas e nos casos de acometimento do olho, pode-se colher de lesões da borda palpebral, da conjuntiva, tanto de conjuntivite como pontualmente de lesões ulceradas conjuntivais e de lesões da córnea.

            A varíola dos macacos é geralmente uma doença autolimitada com sintomas que duram de duas a quatro semanas.

Em relação ao olho, deve-se realizar tratamentos inespecíficos do tipo compressa de água fervida gelada para acalmar a inflamação da superfície ocular, lubrificação frequente, se houver infecção bacteriana secundária, uso racional de antibióticos. Não há tratamento com antiviral tópico ocular específico para a varíola dos macacos afetando o olho, apesar que a trifluoridina tópica tem sido cogitada na literatura. Ainda, os antivirais de uso sistêmico como o cidofovir e principalmente o uso compassivo do Tecovirimat podem ter efeito contra varíola dos macacos, podendo ser indicados em casos sistêmicos graves, assim como nos casos oculares com risco de perda de visão.

            Embora possível, não há conhecimento sobre a possibilidade de transmissão do vírus através de lágrimas ou lesões conjuntivais, mas todo o cuidado para evitar o contágio deve ser realizado, com uso de luvas e mascaras, entre outros.

 

Referências

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